
Carnival of Souls (1962)
Bizarro filme na carreira do desconhecido realizador de filmes educativos Herk Harvey (na foto). Uma jovem sobrevive a um acidente de viação começa a ter estranhas visões de figuras espectrais que a convidam para participar num bizarro baile num parque de diversões abandonado. Diz-se que foi este o filme que inspirou Romero para a fotografia do seu “Night of the Living Dead”.

The Entity (1981)
Barbara Herschey num tour de force interpretativo é violada constantemente por uma entidade invisível. Impressionantes sequências de violação e uma inteligente opção narrativa psicanalítica.

The Fog (1980)
Carpenter medita sobre a culpa colectiva através da visita de um grupo de piratas fantasmagóricos a um pequena vila pesqueira. Por favor, esqueçam o infeliz e injustificável remake de 2005. Mas, por alguma razão não sai há muito tempo um filme do grande mestre…

The Haunting (1963)
Robert Wise aplica tudo o que aprendeu com os filmes produzidos por Val Lewton. Prodigioso exercício de sugestão destruído pelo festival de efeitos especiais do remake de Jan de Bont. Para compreender o verdadeiro significado da expressão less is more, é indispensável o visionamento destes dois filmes.

The Innocents (1961)
O responsável pelo clássico britânico “Room at the Top”, Jack Clayton, realizou esta obra fundamental e corajosa que coloca a fabulosa Deborah Kerr num enredo sobrenatural de contornos incestuosos. Filme de estudo de Amenábar para “The Others”, copiado por Jonathan Glazer em “Birth” e homenageado por Hideo Nakata no vídeo assassino de “Ringu”.

Ju-on (2003)
Takashi Shimizu leva ao limite directrizes da obra-mestra de Nakata, preterindo inclusive a construção narrativa em favor do prolongamento dos momentos de puro medo. O ponto alto é, sem dúvida, o fantasma dentro da cama…brrr….

The Others (2001)
Elegantíssima homenagem de Alejandro Amenábar ao cinema clássico de fantasmas. Nicole Kidman recria na perfeição a subtileza da interpretação de Deborah Kerr em “The Innocents” e o filme decorre num crescendo emocional até uma revelação final que não reduz o filme a um simples exercício de suspense.

Ringu (1998)
Nakata (re)inventa a semiótica do filme de terror psicológico através da inversão de dois dos seus símbolos mais identificativos: a música e a montagem. Ou seja, através da preferência de ruídos orgânicos a uma banda sonora sugestiva e favorecendo o plano contínuo à montagem frenética faz, com uma desarmante simplicidade, regressar o medo e a inquietação ao filme de terror.

The Shining (1980)
Kubrick ignora a matriz literária do livro de King e oferece algumas sequências antológicas para o léxico do filme de terror, ao serviço de futuras gerações, graças em grande parte à inovação trazida pela steady cam. Neste filme os diálogos, que os actores proferem naquele precioso e clínico timing de Kubrick, perturbam muito mais que os famosos passeios de triciclo pelos longos corredores do hotel.

The Sixth Sense (1999)
M. Night Shyamalan salta para a ribalta através desta história de fantasmas profundamente influenciada pelas teorias espiritualistas e metafísicas que o norte-americano tanto gosta. Infelizmente, depois deste filme ficou com o rótulo de realizador de twists narrativos. Independentemente do que se possa achar de Shyamalan, é de salutar a sua insistência em reduzir efeitos digitais ao mínimo possível - em “Signs”, por exemplo, há quase um pudor no emprego deste meio na sequência final. Não existem muitos como Shyamalan a trabalhar no circuito comercial.

The Uninvited (1944)
Resposta da Paramount ao sucesso dos filmes atmosféricos de Val Lewton. Lewis Allen provou que nada devia a realizadores como Jacques Tourneur e Mark Robson. Trata-se de um dos raros filmes de terror nos anos 40 que ainda hoje mantém intacto o "facotr arrepio". Allen queria levar ao limite a filosofia visual dos filmes de Lewton, nunca mostrando os espíritos malévolos. Vontade que o estúdio, à última hora, ignorou, acrescentando uns fantasmas nalgumas sequências que no entanto não destroem esta magnífica obra.
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